Não quero ser conhecida como aquela que não chorou.
Aquela que não sentiu, que não amou, que não sofreu.
Não, não quero terminar como um porta-retrato na sala de estar dos meus netos.
Como um porta-retrato que não diz nada.
Não preciso ser conhecida.
Posso terminar minha vida como uma anônima
em uma manifestação estampada na capa da revista.
Posso terminar minha vida como uma multidão
Como alguém que foi todos e não foi ninguém.
Não quero ser conhecida como alguém que poderia ter sido e não foi.
Que poderia ter sorrido mas chorou
ou que poderia ter chorado, mas sorriu.
A vida, ao contrário do que dizem, não é uma peça de teatro
A vida é real, e a realidade grita
Não pede ensaios, controles nem marionetes.
Não preciso ser conhecida,
Posso ser eternamente um porta-retrato
Mas que se expresse
Que não tenha um fim.
Se for conhecida
que me conheçam como aquela que teve uma chance
de mudar a História e o Mundo
E que aproveitou-a.
Que em meu túmulo tenha apenas uma frase:
Jaz aqui aquela que viveu.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
terça-feira, 7 de abril de 2009
Sobre transporte público e exploração
Hoje andando de carro calmamente pelas ruas de Niterói, vejo meu retrovisor voando do meu lado. Foi parar do outro lado do asfalto. A "vítima" fui eu, o "causador" o ônibus.
Passado todo o desespero inicial, o motorista do ônibus muito solicito parou o ônibus, chamou seu inspetor, e buscou encaixar meu retrovisor, que teve algumas peças quebradas. Depois disso, aquilo que a gente acha que não acontece vem à tona: o motorista admitiu ser culpado, e quem arca com o ônus é ele, claro, e não a empresa.
De repente uma quantidade de sentimentos me vem à tona: Eu, que tenho um carro pra usar quando quiser, que não preciso trabalhar pra me sustentar, vou cobrar um retrovisor de um motorista que além de tudo agora é trocador? Porque sim, a nova modalidade do transporte público é essa. O motorista é o trocador. Mais desempregados nas ruas da cidade, menos custos para os donos da empresa de ônibus, e mais acidentes, claro. Como? Como um imbecil de um milionário (ou estelionatário) do dono da empresa de ônibus tem dinheiro para presentear o filho com um Audi, ao 16 anos, e não tem dinheiro para pagar um retrovisor, ou um trocador. E aí depois, o motorista, que além de motorista, é trocador, ou seja, enquanto dirije tem que fornecer troco e etc., bate, e a culpa é dele.
A minha primeira reação é ter ódio deste empresário. Tão forte, mas tão forte que chega ao sentimento de pena. Depois chorar. Como alguém tem coragem de lucrar tanto às custas de outro. As custas do pobre, que tem uma família pra sustentar, que trabalha quarenta e quatro horas por semana. Desse a gente tem que ter compaixão. Do dono da empresa de ônibus, tem que ter pena.
O capitalismo diversifica a luta de classes das mais diversas maneiras. A gente tem que estar sempre preparado para combatê-la dentro do possível no sistema capitalista. Só não ver quem não quer. E ai dos pós-modernos que aparecerem na minha frente nos próximos meses.
Passado todo o desespero inicial, o motorista do ônibus muito solicito parou o ônibus, chamou seu inspetor, e buscou encaixar meu retrovisor, que teve algumas peças quebradas. Depois disso, aquilo que a gente acha que não acontece vem à tona: o motorista admitiu ser culpado, e quem arca com o ônus é ele, claro, e não a empresa.
De repente uma quantidade de sentimentos me vem à tona: Eu, que tenho um carro pra usar quando quiser, que não preciso trabalhar pra me sustentar, vou cobrar um retrovisor de um motorista que além de tudo agora é trocador? Porque sim, a nova modalidade do transporte público é essa. O motorista é o trocador. Mais desempregados nas ruas da cidade, menos custos para os donos da empresa de ônibus, e mais acidentes, claro. Como? Como um imbecil de um milionário (ou estelionatário) do dono da empresa de ônibus tem dinheiro para presentear o filho com um Audi, ao 16 anos, e não tem dinheiro para pagar um retrovisor, ou um trocador. E aí depois, o motorista, que além de motorista, é trocador, ou seja, enquanto dirije tem que fornecer troco e etc., bate, e a culpa é dele.
A minha primeira reação é ter ódio deste empresário. Tão forte, mas tão forte que chega ao sentimento de pena. Depois chorar. Como alguém tem coragem de lucrar tanto às custas de outro. As custas do pobre, que tem uma família pra sustentar, que trabalha quarenta e quatro horas por semana. Desse a gente tem que ter compaixão. Do dono da empresa de ônibus, tem que ter pena.
O capitalismo diversifica a luta de classes das mais diversas maneiras. A gente tem que estar sempre preparado para combatê-la dentro do possível no sistema capitalista. Só não ver quem não quer. E ai dos pós-modernos que aparecerem na minha frente nos próximos meses.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
enigma.

Não venha me dizer o que é aceitável. Não venha me mostrar o que é justo, o que é correto. Não vem me dizer o que os livros mostram e o que o coração não diz. Esqueça todas as suas conversas, os seus livros, os seus filmes e o seu ouvido aguçado para a música. Não pense em vir com filosofias não compartilhadas, com amores não ditos, com vida dita vivida.
Não que os livros, e os filmes não sejam necessários, não que a arte deva ser desprezada. Mas me venha com mais que isso.
Não que os livros, e os filmes não sejam necessários, não que a arte deva ser desprezada. Mas me venha com mais que isso.
Não se acostume a falar, a discursar e a ver a banda passar. Não se acostume com sorrisos aflitos, com olhares perdidos, com povo sofrido.
Não venha me dizer o que é bom. O que devo fazer, a quem devo seguir, como me comportar. Não me venha apenas com a retórica da academia, ou com a filosofia da mesa de bar.
Não se acostume a não ver, a não viver, a não se comover.
Traga consigo todo sentimento que você puder carregar. Mostre-me não apenas que é culto, que é nobre. Mostre-me o oculto, os laços invisíveis, as palavras que não precisam ser ditas para serem compreendidas.
Se você quiser vir assim, que venha. Mas te garanto: Prefiro esse jeito-sem-jeito. Esse amor imperfeito. Esse riso que é pranto e vida. Pode até que seja rua-sem-saída. A gente se supera superando as enfinges contidas.
Venha, por favor, não deixe de vir.
Venha sendo mendigo, sendo catador, sendo mulher, sendo operário. Venha sendo todos e não sendo ninguém.
Venha aberto, descoberto.
Não espere, de maneira alguma. Não espere o porvir.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Naquele dia lindo de verão, em uma tarde ensolarada de sábado, ele olhou para ela como se fosse lágrima. Ele, sentado embaixo de uma árvore, não percebeu o que estava ocorrendo naquele exato instante. Não percebeu o imperceptível. Ela, jorrou-lhe meia dúzia de palavras chulas, esperando que depois disso ele corresse para abraçá-la. Ao contrário do que ela pensou, ele continuou olhando-a como se fosse lágrima. E ele não chorava, mas ela, sim, ela chorava muito. Ele não pode dizer nada. Como de costume, eles nunca podem dizer nada, eles nunca dizem nada. Apenas as encaram, esperando que tudo volte a ser como era antes.
De repente, como num gesto súbito, ele levantou da sombra que estava sentado e -sem dizer nada- passou a mão nos seus rostos fraternalmente, enxugando as suas lágrimas que corriam como o véu de uma noiva e a abraçou. Ele e ela sabiam que aquela seria a última vez que ele enxugaria as suas lágrimas. E o primeiro, de muitos 'Adeus' que eles começariam a dar ao longo de suas vidas.
De repente, como num gesto súbito, ele levantou da sombra que estava sentado e -sem dizer nada- passou a mão nos seus rostos fraternalmente, enxugando as suas lágrimas que corriam como o véu de uma noiva e a abraçou. Ele e ela sabiam que aquela seria a última vez que ele enxugaria as suas lágrimas. E o primeiro, de muitos 'Adeus' que eles começariam a dar ao longo de suas vidas.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Natal: ame ou deixe-o.
Que o dia 25 de dezembro seja a única data presente em nossos calendários e que os únicos presentes dados sejam amor, carinho, esperança, alegria e sorrisos, muitos sorrisos.
Que não seja época de consumismo e de shoppings funcionando 24 horas por dia. Mas que se for, que esta não seja a prioridade.
Que a prioridade seja lembrar de Jesus. Independente de religiões, independente de tudo.
Lembrar de Jesus como um revolucionário, como um companheiro. Porque companheiro é quem compartilha o pão, e quem compartilha o pão compartilha a vida. A ponto de dar a sua própria vida para mostrar que sonhos são a prova de tudo, para mostrar que sonhos não envelhecem.
O fim-de-ano chega. Que cheguem esperanças e metas.
Mas que as metas sejam contra a maré, por favor.
Se não a gente cresce, casa, tem filhos-casa-carr0, morre e a hipocrisia e a fome permanecem.
E o que fizemos de nossa existência?
Que neste Natal e Neste fim de ano, nunca esqueçamos de um coisa:
o socialismo é o nome científico do amor.
MUITO AMOR PRA TODO MUNDO.
Porque é isso que Jesus queria. Ame ao próximo como a si mesmo e seja capaz de tremer de indignação perante uma injustiça, para sermos companheiros.
Um 25 de dezembro diário para todos vocês!
*Escrito com uma mistureba de Frei Betto, Che Guevara, Los Hermanos e Jesus. Um monte de palavras cuspidas buscando se encaixar neste quebra-cabeça. Hoje, por favor, não me xinguem pela falta de paciência, pela ausência da norma culta ou de concordância. Apenas pensem. É isso que eles não querem que façamos.
Que não seja época de consumismo e de shoppings funcionando 24 horas por dia. Mas que se for, que esta não seja a prioridade.
Que a prioridade seja lembrar de Jesus. Independente de religiões, independente de tudo.
Lembrar de Jesus como um revolucionário, como um companheiro. Porque companheiro é quem compartilha o pão, e quem compartilha o pão compartilha a vida. A ponto de dar a sua própria vida para mostrar que sonhos são a prova de tudo, para mostrar que sonhos não envelhecem.
O fim-de-ano chega. Que cheguem esperanças e metas.
Mas que as metas sejam contra a maré, por favor.
Se não a gente cresce, casa, tem filhos-casa-carr0, morre e a hipocrisia e a fome permanecem.
E o que fizemos de nossa existência?
Que neste Natal e Neste fim de ano, nunca esqueçamos de um coisa:
o socialismo é o nome científico do amor.
MUITO AMOR PRA TODO MUNDO.
Porque é isso que Jesus queria. Ame ao próximo como a si mesmo e seja capaz de tremer de indignação perante uma injustiça, para sermos companheiros.
Um 25 de dezembro diário para todos vocês!
*Escrito com uma mistureba de Frei Betto, Che Guevara, Los Hermanos e Jesus. Um monte de palavras cuspidas buscando se encaixar neste quebra-cabeça. Hoje, por favor, não me xinguem pela falta de paciência, pela ausência da norma culta ou de concordância. Apenas pensem. É isso que eles não querem que façamos.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
triste cotidiano.
Eu pensava que sábado normalmente fosse um dia feliz para as pessoas do Rio de Janeiro. Dia de sair, ouvir um samba, tomar cerveja com os amigos e as amigas, se deliciar a noite e se o dia for ensolarado ainda poder ir à praia pela manhã.
Este sábado fui para mais um dia de alegria. Porém uma imagem ficou na minha cabeça quando me dirigia a uma noite maravilhosa. Como se fosse um carro de vendedor de sorvete, em que o sorveteiro sai a rua e distribui picolés para as crianças (como nos filmes), vi uma patrulha policial em que saiam 4 destes com fuzis nas mãos em direção a um bar, aqui do Centro de Niterói. Passei por esse bar e vi pessoas se escondendo embaixo dos carros, parecendo aterrorizadas. Passado isto, fiquei pensando como esta cena seria condenada se fosse na Zona Sul ou em um bar que os filhos da classe média frequentam por esses lados da ponte. Comentei com uma prima que estava no carro comigo, e ela disse: -Eu nem me abato mais, pois se não ficaria todos os dias triste.
Essa cena desde sábado não sai da minha cabeça. A que ponto nós chegamos? A ponto de não nos abater? Que fiquemos tristes, que choremos, que gritemos. Que choremos de raiva.
Fiquei pensando nas milhões de pessoas espalhadas pelas periferias do Brasil que tem que se esconder, e se deparar com policiais com fuzis na mão é algo cotidiano. Gente inocente, gente com filho, gente que viver é uma batalha. Uma batalha contra balas perdidas, contra filhos assassinados, contra a fome.
E a gente se assustando e chorando com casos como o de Isabela Nardoni. E não chorando e se assustando com crianças que morrem quando jogavam bola com os amigos em suas favelas.
Em tempos de caveirão, de tráfico de armas, de ausência total de sensibilidade, nunca é demais citar Brecht:
"Desconfiai do mais trivial , na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar".
Este sábado fui para mais um dia de alegria. Porém uma imagem ficou na minha cabeça quando me dirigia a uma noite maravilhosa. Como se fosse um carro de vendedor de sorvete, em que o sorveteiro sai a rua e distribui picolés para as crianças (como nos filmes), vi uma patrulha policial em que saiam 4 destes com fuzis nas mãos em direção a um bar, aqui do Centro de Niterói. Passei por esse bar e vi pessoas se escondendo embaixo dos carros, parecendo aterrorizadas. Passado isto, fiquei pensando como esta cena seria condenada se fosse na Zona Sul ou em um bar que os filhos da classe média frequentam por esses lados da ponte. Comentei com uma prima que estava no carro comigo, e ela disse: -Eu nem me abato mais, pois se não ficaria todos os dias triste.
Essa cena desde sábado não sai da minha cabeça. A que ponto nós chegamos? A ponto de não nos abater? Que fiquemos tristes, que choremos, que gritemos. Que choremos de raiva.
Fiquei pensando nas milhões de pessoas espalhadas pelas periferias do Brasil que tem que se esconder, e se deparar com policiais com fuzis na mão é algo cotidiano. Gente inocente, gente com filho, gente que viver é uma batalha. Uma batalha contra balas perdidas, contra filhos assassinados, contra a fome.
E a gente se assustando e chorando com casos como o de Isabela Nardoni. E não chorando e se assustando com crianças que morrem quando jogavam bola com os amigos em suas favelas.
Em tempos de caveirão, de tráfico de armas, de ausência total de sensibilidade, nunca é demais citar Brecht:
"Desconfiai do mais trivial , na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar".
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
um pouco de Los Hermanos

(...)"Depois de ter vivido o óbvio utópico
te beijar, e de ter brincado sobre a sinceridade
e dizer quase tudo quanto fosse natural
Eu fui pra aí te ver, te dizer:
Deixa ser, como será
Quando a gente se encontrar
No pé, o céu de um parque a nos testemunhar
Deixa ser como será
Eu vou sem me preocupar.
E crer pra ver o quanto eu posso adivinhar"(...)
Los Hermanos faz parecer tudo mais fácil. Faz crer pelo menos que existe gente em diferentes lugares sentido o mesmo que a gente. Hoje foi dia de overdose de Los Hermanos, e eu aconselho, faz bem.
Nós, que achamos que sempre estamos tendo o controle das rédeas da nossa vida.
Nós, que achamos que guiar-se pode ser algo simples e fácil.
Quantos de nós que pensamos que tudo sempre seria simples e fácil não nos vimos perdendo o controle em algum momento?
Pelo simples fato de que existem certas coisas na vida que fogem a direção e que por mais que não queiramos seguir nesta direção, os ventos já mudaram e buscar domá-los torna-se apenas um exercício cansativo e em vão, na maioria das vezes. São os ventos fortes, que tanto nos incomodam seja na praia ou nos sentimentos.
Ouvir Los Hermanos me trás a sensibilidade para aprender que não podemos lidar mais com os dados que estão jogados na mesa, e ao mesmo tempo a percepção de que ainda existem dados rolando, nesta mesma mesa em que existem dados parados, estáticos.
Deixar "ser como será" não diz respeito aos estáticos, mas os que estão rolando e não por conta própria, mas porque nos deixamos ele rolar. Ouvi-los e senti-los me faz odiar os dados estáticos ao mesmo tempo que me faz não apenas entender o "ser como será" mas entender que apesar de existirem muitos dados, ainda existem muitos números em aberto que precisam seguir seu curso e precisam da nossa ajuda para seguir o curso. Por mais que seja difícil, por mais que doa, mas por ser necessário e por nos fazermos superar algo, independente do tempo que demore para superar esse algo, tão abstrato.
Quer saber? Los Hermanos está me fazendo uma pessoa metafórica e antiquada. Mas eu não ligo.
Ninguém deve ser condenado por gostar do amor.
te beijar, e de ter brincado sobre a sinceridade
e dizer quase tudo quanto fosse natural
Eu fui pra aí te ver, te dizer:
Deixa ser, como será
Quando a gente se encontrar
No pé, o céu de um parque a nos testemunhar
Deixa ser como será
Eu vou sem me preocupar.
E crer pra ver o quanto eu posso adivinhar"(...)
Los Hermanos faz parecer tudo mais fácil. Faz crer pelo menos que existe gente em diferentes lugares sentido o mesmo que a gente. Hoje foi dia de overdose de Los Hermanos, e eu aconselho, faz bem.
Nós, que achamos que sempre estamos tendo o controle das rédeas da nossa vida.
Nós, que achamos que guiar-se pode ser algo simples e fácil.
Quantos de nós que pensamos que tudo sempre seria simples e fácil não nos vimos perdendo o controle em algum momento?
Pelo simples fato de que existem certas coisas na vida que fogem a direção e que por mais que não queiramos seguir nesta direção, os ventos já mudaram e buscar domá-los torna-se apenas um exercício cansativo e em vão, na maioria das vezes. São os ventos fortes, que tanto nos incomodam seja na praia ou nos sentimentos.
Ouvir Los Hermanos me trás a sensibilidade para aprender que não podemos lidar mais com os dados que estão jogados na mesa, e ao mesmo tempo a percepção de que ainda existem dados rolando, nesta mesma mesa em que existem dados parados, estáticos.
Deixar "ser como será" não diz respeito aos estáticos, mas os que estão rolando e não por conta própria, mas porque nos deixamos ele rolar. Ouvi-los e senti-los me faz odiar os dados estáticos ao mesmo tempo que me faz não apenas entender o "ser como será" mas entender que apesar de existirem muitos dados, ainda existem muitos números em aberto que precisam seguir seu curso e precisam da nossa ajuda para seguir o curso. Por mais que seja difícil, por mais que doa, mas por ser necessário e por nos fazermos superar algo, independente do tempo que demore para superar esse algo, tão abstrato.
Quer saber? Los Hermanos está me fazendo uma pessoa metafórica e antiquada. Mas eu não ligo.
Ninguém deve ser condenado por gostar do amor.
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